Só sei que nada sei, mas ainda insisto em digitar...
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terça-feira, 10 de abril de 2012

Só sei que discordei.

"A racionalidade que estagna é uma forma de irracionalidade opcional. É pensar de tudo para simplesmente não pensar em nada. Uma das formas da tal auto-sabotagem, creio eu."

Quase nunca existe alguém para dar uma palavra de apoio, ou alguém para, no mínimo, trocarmos alguma idéia edificante sobre uma coisa edificante qualquer. Mas sempre tem alguém para dizer que: "O MUNDO ESTÁ PERDIDO".



"O mundo está perdido." Será? Eu não sou o rei da astrofísica, mas me parece que a Terra, dadas as devidas proporções, permanece no seu lugarzinho há não sei quantos bilhões, ou trilhões, de anos. Desnecessário é eu acessar o Wikipédia e discutirmos agora essa questão em particular.

Aí o sujeito disso que "o mundo está perdido". E é claro que nas rodas (quase sempre ridículas) de discussões (quase sempre igualmente ridículas) que frequentamos, sempre haverá também alguém para contra-argumentar, com ares de pseudo-sabedoria, esta triste sentença, dizendo que "não, o mundo não está perdido. AS PESSOAS ESTÃO PERDIDAS."



"As pessoas estão perdidas." Será? Eu não sou o rei da sociologia, mas me parece que na Terra, dadas as devidas proporções, as pessoas têm tido acesso à todo tipo de cultura e contra-cultura há não sei quantos séculos. E digo apenas séculos pois seria cruel exigir cultura do homem desde que começou a lidar com a racionalidade. Mas alguns séculos já dão pro gasto, não é verdade? Ainda mais atualmente, na era da Internet. O ser humano atualmente tem acesso a praticamente TODO tipo de cultura, em questão de cliques. A grande sabedoria dos grandes mestres da humanidade nos quatro cantos do mundo através dos milênios, de todos os filósofos de todas as vertentes está AQUI. Ou no mínimo, estará o método, ou meio, para que tal sabedoria seja acessada.

Goethe tem uma frase que é mais ou menos assim: "As grandes verdades do mundo já foram ditas. Nos basta agora vivê-las".

A primeira vez que ouvi isso, foi pra nunca mais sair. Pois é realmente uma grande verdade. As pessoas vivem entrando em grandes questionamentos acerca de tudo. E me parece que quanto mais inteligente é a pessoa, de forma mais imbecil ela acaba agindo, na maioria das vezes. Pois quando a pessoa é inteligente, sua mente obviamente dispões de mais mecanismos para articular pensamentos. Se essa pessoa é orgulhosa e acomodada (e quem de nós não é?), sua mente será capaz de maquinar os maiores e mais ridículos pseudo-dramas e crises existenciais, estagnando a pessoa no seu próprio joguete mortal de dúvidas cujas respostas, no fundo, ela sabe. Hoje em dia só não tem uma diretriz moral de boa qualidade quem não quer. Sem falar que nem precisamos muito buscar e investigar acerca das direções morais, pois os próprios conceitos éticos e morais são conceitos que são meio que intrínsecos à nossa existência e condição humana. A tal da consciência. E não adianta vir me dizer que a "pessoa se perdeu por opção", pois o mapa está dentro da cabeça dela própria. Então favor não confundir "estagnação opcional" com "perdição" ou "perdimento".

Pois a nossa existência é simples demais. Sabemos exatamente o que nos atrasa, e o que nos projeta para frente. Não somos os tais "animais racionais"? Então. A racionalidade que estagna é uma forma de irracionalidade opcional. É pensar de tudo para simplesmente não pensar em nada. Uma das formas da tal auto-sabotagem, creio eu.

Se eu disse à vocês que o mundo não está perdido, nem as pessoas estão perdidas, ainda poderá alguém e dizer que "mas se todas as verdades do mundo já foram ditas, as pessoas talvez não estejam sabendo vivê-las pois ESTÁ LHES FALTANDO A DEVIDA CAPACIDADE DE INTERPRETAÇÃO DOS TEXTOS QUE CONTÉM AS GRANDES VERDADES DA VIDA."



"As pessoas não têm tido a capacidade interpretativa devida de certos textos." Será? Olha, meu amigo. Se você olhar bem, os "códigos de conduta moral" (vamos chamar assim as verdades que foram ditas e escritas por muitos ao longo dos tempos) estão aí faz muito tempo. Há não sei quanto tempo atrás, os "Dez Mandamentos" de Moisés diziam coisas como "Não matarás". A humanidade daquele tempo era muito mais desumana naquela época. E desumana não por opção (talvez de poucos), mas desumana no sentido de animalidade latente que aquela "humanidade" ainda lidava, eram os primórdios, afinal. O homem, que é um ser extremamente complexo, estava ainda em período de formação moral. Mas até esse homem-animal (e não por opção, como os homens-animais de hoje em dia) conseguia interpretar o "Não matarás".

Assim como os atenienses interpretaram muito bem o que Sócrates queria dizer. Assim como os próprios fariseus interpretaram, e até demais (no mau sentido) o que Jesus disse. Se eles não concordaram e não quiseram viver, de fato, aqueles ensinamentos que a sua própria racionalidade soube interpretar, aí é outra história. Pois "interpretação" não é pressuposto para "concordância". E até a própria "concordância" não é pressuposto para "vivência" ou "aplicação".

Pois somos capazes de interpretar algo, mas não somos obrigados a concordar com nada que nossa racionalidade foi capaz de interpretar. E supondo que interpretamos, e concordamos com um raciocínio ou ensinamento qualquer, não somos obrigados a vivê-lo, minimamente ou em plenitude. Nosso livre arbítrio nos permite concordar com algo, mas simplesmente não viver esse algo.

Aí pergunto: "No que se baseia seu livre arbítrio?"

Pois é como eu disse um pouco mais acima. Se a humanidade desde os primórdios soube interpretar verdades tão básicas, porque a nossa humanidade hoje em dia não seria capaz de interpretar essas mesmas verdades tão básicas, tão simples e de acesso tão fácil?

Ora, isso seria ilógico. É claro que a nossa geração é capaz de interpretar o simples, e até o complexo. Basta querer. E "querer" ou "não-querer" é sempre decorrência da faculdade que citei há pouco: livre-arbítrio.

Então, repergunto: "No que se baseia o seu livre-arbítrio?"

Aliás: "No que se baseia a sua existência? E aonde isto já te levou? Aonde você se encontra agora? E aonde esta tua realidade de agora vai te levar?" 

Não precisa me responder. Responda à si mesmo. Mas não tente enganar a si mesmo. Não mais. Seja sincero contigo mesmo. Chega de palhaçada, pois eu sei que você é uma pessoa muito inteligente e não aguenta mais essa sua situação, independente dos momentos de fuga que você ainda insista em criar para si mesmo. E uma vez constatada a situação humanamente precária que você se encontra (e digo "humanamente precária" pois estou me podando, tentando escrever menos palavrão), eu rezo aos deuses para que você tome vergonha nessa sua cara e realize tudo o que você tem que realizar nessa vida, e nas outras, de vez. E sem olhar para trás. Pois se olhar pra trás...

Bom, aí você já sabe o final. O final triste e desesperador, que conduz ao fatigante e esperançoso recomeço. E assim sucessivamente.

Não, o mundo não está perdido. Nunca esteve. Você que é um filho da puta. E porquê quer.

Acorda pra vida! Antes que a vida te acorde pra morte.

Paz à todos.

domingo, 2 de outubro de 2011

Crossroads II.

"A irresponsabilidade é sempre opcional, decorrência do livre-arbítrio de cada um, que é sempre decorrente imaturidade  ou ignorância espiritual. Ou dos dois."


Bora, negão!



Já escrevi sobre encruzilhadas. Escrevi algo sobre tomar o caminho mais penoso, pois à título de virtudes, é sempre o mais recompensador. Normalmente os caminhos muito fáceis e prazerosos não conduzem à lugar algum, pois circulam apenas em relação aos nossos próprios prazeres. Ou seja: cansa-se o corpo na satisfação dos prazeres do próprio, pois o corpo e os impulsos da personalidade são credores exigentes e implacáveis. Tendo em vista tal cansaço do corpo, cansamos também a nossa alma.

Termos a nossa alma aprisionada transitoriamente em nosso corpo físico. Logo, o corpo que é nosso instrumento de trabalho neste planeta, é também uma prisão. Se a prisão está suja, o prisioneiro irá adoecer, talvez até enlouquecer ou entrar em um processo depressivo.

Usando essa analogia, podemos entender perfeitamente o que acontece com a nossa alma. A prisão suja é o nosso corpo. Sujo metaforicamente, e literalmente. E o prisioneiro que aos poucos adoece, enlouquece e se deprime na tal prisão fétida é a nossa alma.

Por isso tanta gente triste à nossa volta. E sabemos que os sorrisos de plástico que vemos naquelas fotos que parecem ter sido ensaiadas são apenas sorrisos de plástico. Um sorriso de plástico é o reflexo de uma alma angustiada, sufocada dentro sua pseudo-felicidade. Alma angustiada, porém ainda muito orgulhosa e irresponsável, pois insiste em sorrir forçosamente, talvez para tentar enganar ao mundo e à si mesma.

A questão é: Quando nos deparamos com as encruzilhadas da vida, não mais sorrimos. Na hora o nosso semblante se fecha. Pois até um irresponsável tem o mínimo senso de responsabilidade. O fato dele não agir com responsabilidade não quer dizer que ele não saiba o que é certo e o que é errado. A irresponsabilidade é sempre opcional, decorrência do livre-arbítrio de cada um, que é sempre decorrente imaturidade  ou ignorância espiritual. Ou dos dois.

Então escolhemos um caminho da encruzilhada. E aí começa um "show de humanidade" da nossa parte. É um processo interessantíssimo de ser analisado. E um pouco ridículo também.

O sujeito escolhe o caminho fácil. Dos prazeres. Vive como um verdadeiro Calígula dos tempos modernos. Come, bebe, fuma, cheira, briga, trepa, goza. "Livin´ la vida loca". Nada pode mais legal que a vida que ele leva. Nada pode ser mais legal que ele. Ele sabe disso. Elas sabem disso. Todo mundo sabe disso. Mas em dado momento, tal maceração do corpo exige uma prestação de contas. Ele engorda, ou emagrece. A saúde pede "pelo amor de Deus". Aquelas noitadas que tanto o satisfaziam aos poucos começam a se tornar deprimentes para ele próprio. Começa a enxergar a vida de outra maneira, em decorrência das experiências. Afinal, algo tão negativo pode se tornar positivo. É questão de mudança de foco. De ação. E ele age! E volta por todo o caminho, de volta à encruzilhada.

E lá está nosso amigo novamente, de frente à encruzilhada. Cansado, afinal ele se fodeu bastante naquele caminho que tinha escolhido antes. Aquele caminho que parecia tão bom em outros tempo, agora lhe parecem trevas e desgraça, causando-lhe os mais estranhos arrepios. Mas por mais que ele tenha se machucado tanto, e eventualmente machucado tantos outros, ao menos ele encara essa experiência com maturidade, na certeza de nunca mais precisar repetí-la. Aquilo tudo é passado. O foco agora é no presente e no futuro. Ele então volta seus olhos para o outro caminho. O caminho certo. Do correto. Que não parece tão prazeroso à primeira vista, é bem verdade. Mas se só existem dois caminhos, e o outro lhe fez tão mal, sua lógica lhe diz que aquele é o único caminho. Se o outro caminho de fato o conduziria à uma morte trágica e à uma entrada desgraçada no mundo dos mortos, o outro lhe conduzirá à uma morte digna, que lhe conduzirá de forma também digna para a vida eterna.

Então ele toma o caminho certo. Cria sua rotina honrada de trabalho. Diverte-se sim, aos fins de semana, mas de maneira moderada, pois também pratica esportes e entra em contato com a natureza, seja na praia ou no campo. Diverte-se na sua noite, mas de forma que isso não o impeça de divertir-se também durante o dia. Se reaproxima de um ideal religioso, seja ele qual for. Não importa se vai à igreja, à sinagoga, à mesquita, ao centro espírita ou de umbanda - o que importa é que ele se aproximou de Deus, ou de qualquer outra coisa que ele acredite que conduza todo o Universo. Sua consciência está limpa, assim como seu próprio corpo.

Algum tempo vivendo a rotina honrada, e o que acontece? O corpo pede. A mente pede. Todas essas mulheres gostosas se insinuando o tempo todo. Todos essas substâncias prontas para serem consumidas. Mas ele é um novo homem. Honrado, e tudo mais. Ceder uma vez só à antiga rotina não lhe fará mal algum. Afinal, ele é "apenas humano". "A carne é fraca". E outras merdas nesse sentido.

E lá está nosso amigo, num belo fim de semana. Talvez alcoolizado, talvez drogado, talvez fazendo sexo como um macaco - talvez os três. Mas não se assustem, foi apenas uma recaída. Um momento de fraqueza. De humanidade. Momento esse, que aos poucos vai tornando constante novamente na rotina dele e - pasmém - lá está ele denovo no caminho errado.

E ele sinceramente nem sabe como voltou daquele caminho para o outro. Afinal, ele se achava assim tão consciente. Julgou ter sido sugado de um caminho ao outro. Mas se ele tivesse o mínimo de humildade em assumir suas fraquezas, teria notado que voltou todo o caminho, entorpecido pelos antigos vícios da personalidade. E ainda entorpecido, passou pela encruzilhada e como um zumbi reingressou no caminho dos prazeres hedonistas irrefreáveis.

Tudo bem. Em um momento de consciência, ele se desespera, quando se vê novamente naquela situação antiga, que ele tinha jurado para Deus e o mundo que nunca mais se encontraria. E aquilo o faz se envergonhar em dobro. Seu suor mais lhe parece lodo, e seu corpo tão pesado lhe traz uma sensação de estar vestindo uma carcaça de animal podre. Mesmo pesadamente, quase que se arrastando, entre lágrimas de pesar e desespero, ele volta à encruzilhada. Em sua deprimente jornada de volta, ouvimos as outras almas que naquele triste caminho se encontram. Humilham, zombam. Atiram palavras que lhe causam até dor física, como se fossem objetos sólidos. A consciência está tão pesada, o corpo está tão cansado, que ele acha que não vai conseguir. Quase desfalecendo, ele pensa por um minuto em deitar por ali mesmo para tentar se recompor. Adiar a volta. Mas não. Fazendo esforço para apenas respirar, ele arrasta as duas toras de carne que outrora foram pernas, e suando frio ele alcança seu objetivo - a encruzilhada.

Aliviado, respira fundo. Se recompõe. Fisicamente. Psicologicamente. Espiritualmente. Limpa o corpo. Limpa a alma. Resolve seguir o caminho certo novamente. Mais experiente. Mais humilde. Mais ciente de suas próprias fraquezas. E sim, um pouco acovardado. Ciente que o tombo é maior e mais violento a cada vez que ele cai. E que tombo tem limite.

Ele vai seguir denovo então. Essa odisséia já vimos antes. Esse filme já vimos. Todas as afeições que ele fez no caminho errado têm a certeza que ele voltará para lá, muito embora saibam que ele é nobre o suficiente para não estar ali. As afeições que ele tem no caminho certo também não confiam nele - sinceramente acham que ele vai desistir novamente, e voltar para o caminho errado o quanto antes, muito embora tenham fé que vai chegar o dia em que ele será o homem que todos sabem que ele pode ser.

Se os bons e os maus reconhecem seu potencial latente, a conclusão é de que o dia em que ele fará o certo de vez depende apenas dele. A escolha é dele. Mas escolha apenas não basta. A ação e o esforço são dele também.

E vai chegar o dia em que ele vai seguir o caminho certo para sempre, ao ponto de o perdermos de vista em uma luz tão forte, que até ofusca nossos olhos ainda tão humanos.

No fundo, temos essa luz dentro de nós. E às vezes ela brilha tão forte e tão intensamente, que assusta nossa própria humanidade. E aí entramos em processo de soterrar essa luz que faz queimar e arder os nossos defeitos, pois é um processo de purificação. Preferimos sempre a sombra do comodismo. Chega disso. Chega de ser tão humano.

Deixa a luz brilhar. E sem medo dessa vez. A recompensa nada mais é que a sua própria felicidade.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Só sei que errei.

"De forma inconsciente (ou não), as pessoas recusam-se a mudar certos tipos de conduta em suas vidas ainda consideradas reprováveis aos olhos de Deus."



Muitas pessoas que desenvolvem um senso de religiosidade (incluam a mim nesse grupo) desenvolvem a submissão consciente à vontade de Deus. Algo que podemos chamar de "submissão e disciplina consciente". E não só a teoria religiosa e/ou filosófica, mas também a prática na chamada "arte de viver" as conduziram por esse caminho resplandecente.

Resplandecente pois todo senso de religiosidade gera esperança. Mas gera ao mesmo tempo disciplina. Pois teus sofrimentos serão aliviados, na medida em que tua disciplina como ser-humano se desenvolva. Um raciocínio que nos conduz à máxima: "Ajuda-te, que o Céu te ajudará." O que para mim soa apenas como lógico e racional.

Mas algo a se observar é que o comodismo e a estagnação pessoalmente reside - e muito - de forma assombrosa nessas pessoas que têm desenvolvidas em si o senso de religiosidade.

De forma inconsciente (ou não), as pessoas recusam-se a mudar certos tipos de conduta em suas vidas ainda consideradas reprováveis aos olhos de Deus. 

Pois se Deus (ou o Universo) de certa forma nos "pune" quando fazemos ou insistimos em um tipo de errôneo de conduta, eu automaticamente associo qualquer insucesso na minha vida àquele erro continuado que ainda persisto.

Por exemplo: se algo dá errado em minha vida, provavelmente é porque ainda continuo roubando, furtando, assassinando, me viciando. Sejá lá o que for.

Então de forma surpreendente até, certas pessoas desenvolvem esse tipo de "auto-defesa". Continuam insistindo nos erros, pois assim, sempre arrumarão para si próprias um pretexto Divino para o insucesso que eventualmente ocorra em suas vidas, em um âmbito qualquer.

Afinal, o fato dela despirem-se dos erros e dos vícios as assusta. "E se eu viver a minha vida de forma decente, no nível máximo em que minha moral humana e ainda falha permitir?" - elas pensariam.

"E se, mesmo vivendo a minha vida decentemente, as desgraças morais continuarem a ocorrer? Em que erros irei justificar tais acontecimentos, sendo que eu não mais estarei cometendo erros? Justificar tudo isso como sendo da vontade de Deus será o suficiente para mim não abandoná-Lo, não perdendo assim, a minha fé Nele?" - elas provavelmente perguntariam à si mesmas.

Eu não vou dizer o que você, ou eu, devamos fazer. Vou apenas dizer que muitos nobres mártires da nossa História foram cruelmente assassinados (sempre com aplausos da massa) sem nunca terem errado. 

Vou apenas lembrar-vos que Paulo de Tarso, após sua conversão na estrada de Damasco, foi decaptado anos depois por um pretoriano qualquer.

E que Jesus, o Cristo de Deus, foi crucificado quando não tinha cometido um erro sequer durante toda sua caminhada aqui no Planeta.

Continuar errando, conscientemente ou não, como pretexto para sofrimentos atuais ou futuros, é opção de cada um.

Boa tarde à todos!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Só sei que casarei.

"Eu não duvido nada, que se o Santo Antônio se apresentasse em carne e osso no Brasil uma vez por ano, ia ter uma fila de ditos "fiéis" para poder pessoalmente dependurá-lo em praça pública, ou esconder o bebezinho que ele traz nos seus braços."

Antônio e o menino Jesus.


Ontem, dia de 13 de junho, comemoramos no Brasil o Dia de Santo Antônio. 

Para quem não sabe, Santo Antônio nasceu em Lisboa, tendo como seu nome de batismo Fernando. Viveu na Idade Média, pelos idos de 1.200, e foi um Doutor da Igreja, tendo estudado Direito e tendo sido professor de Teologia. Tornou-se "franciscano" em 1.220, e foi convidado à pregar pela Europa, à convite do próprio São Francisco de Assis em pessoa!

Que honra, não?

Ele é considerado aqui no Brasil protetor dos pobres, e também dos noivos, tendo alcançado o status popular de "santo casamenteiro".

Aí começa a palhaçada, e eis o estopim dessa minha postagem. As pessoas que querem casar (especialmente as mulheres) começam a aprontar mil e uma baixarias com a imagem do pobre Santo.

Como é sabido, a imagem de Santo Antônio é representada pelo mesmo, com o menino Jesus no colo. Então  algumas pessoas costumam esconder o menino Jesus do Santo, no intuito de apenas devolvê-lo caso o Santo devolva, ou apresente um amor à pessoa que faz a chantagem (promessa). Outros, não contentes, viram o Santo de cabeça para baixo.

Sei que muitos vão achar até engraçado, crendice popular, folclore religioso, etc. Eu mesmo, particularmente, também acho engraçado. O que não é engraçado é que as pessoas que fazem isso de fato levam isso à sério.

É tanta falta de noção religiosa, é tanto o desequilíbrio e desespero emocional, que a pessoa se coloca numa posição onde ela julga ter direito à um amor, e com isso, adquire direito de torturar o Santo Antônio, seja virando ele de cabeça pra baixo, seja escondendo dele o coitado do menino Jesus.

Eu não duvido nada, que se o Santo Antônio se apresentasse em carne e osso no Brasil uma vez por ano, ia ter uma fila de ditos "fiéis" para poder pessoalmente dependurá-lo em praça pública, ou esconder o bebezinho que ele traz nos seus braços. O mesmo se aplicaria na malhação do Judas. Se Judas se apresentasse no mundo em carne e osso, uma vez por ano, seria espancado até a morte pelo populacho.

Sinceramente não gosto da denominação "santo". Acho que os próprios santos não devem gostar, pois são humildes. Os santos são apenas espíritos como nós, iguais a eu e você. A questão é que são espíritos mais antigos em vivência e experiência ao longo das encarnações, por isso são melhores que eu e você. Eles apenas se esforçaram em vida, sendo reconhecidos agora na morte. Mas pode ter certeza que os santos continuam trabalhando no mundo espiritual, com a mesma ou até maior dedicação do que na sua última encarnação.

Sabendo disso, as pessoas costumam então fazer promessas aos Santos, que são uma espécie de mensageiros do Altíssimo. Sim, é válido recorrermos à nossa fé, aos Santos, à Jesus ou aos Deuses.

A promessa funciona como os antigos sacrifícios do Paganismo. Sacrificava-se um animal como um presente aos Deuses, visando receber, em troca, alguma gratificação dos Deuses. O mesmo ocorre hoje em dia, com promessas, ou com as chamadas "macumbas".

É uma espécie de relação de troca. Eu faço daqui, e você faz daí. Mas o que a grande maioria não entende, é que essas entidades mais elevadas que zelam por nós na Terra, não querem absolutamente nada de nós. Eles querem apenas, que sigamos seus bons exemplos de vida na Terra. Assim querem os Santos, assim quer Jesus.

Do que adianta você fazer uma promessa, receber a graça alcançada, cumprí-la, e seguir sendo a mesma pessoa orgulhosa e egoísta que você é?

Afinal, você, mulher, me diz que quer casar. Mas eu não te vejo agir como uma vagabunda nos finais-de-semana, quando dança alcoolizada lascivamente em meio aos homens, tal qual uma Maria Madalena antes do apedrejamento?

Você homem, diz que quer ser feliz ao lado de uma mulher. Mas eu não te vejo agir como o mais irracional e nojento dos animais nos prostíbulos da vida, já planejando o seu número de amantes, enquanto urra, trepa e bebe?

Lembro à todos que Deus, assim como o Santo que for, nos observa 24 horas por dia nesse Planeta, principalmente naquelas horas onde achamos não ser observados por ninguém, nem mesmo pela nossa consciência entorpecida. Nossa consciência, que nós mesmos optamos por entorpecer, nem que por algumas horas.

Abençoe a vida, e a vida te abençoará, independente de promessas. Se você quer tanto assim uma alma companheira, que te faça querer casar com ela, amar e respeitar, preocupe-se com seu auto-aperfeiçoamento. Eduque-se. Forje-se. Melhore-se.

Não é prometendo antes que você receberá algo do Universo. Mas sim, FAZENDO antes. Pois o Universo precisa de uma garantia sua. Ele precisa que você esteja numa frequência "X" antes de te enviar algo na mesma frequência. Não é entrar na frequência depois que receber, mas sim já estar nela antes. E simplesmente confiar em Deus, e aguardar. É preciso ser decente ANTES, DURANTE e DEPOIS. Do contrário, esqueça. Não vai ter promessa, sacrifício ou oferenda no mundo que mude isso.

Não sou muito fã das obras de Nietzsche, mas me recordo de uma passagem sua que muito me agrada: "Torna-te logo aquilo que tu és."

Nietzsche, quando ainda militar.


Essa frase diz tudo. Seja aquilo tudo que você pode ser. Aquilo que você sabe que você, em essência, é. Pois, como diz-se metaforicamente, somos criados "à imagem e semelhança Daquele".

Vamos supor que você tenha feito uma promessa ao Santo Antônio. E o Santo Antônio, te atendendo, vem à Terra e começa a te observar, afinal, ele irá querer saber quem é você. E começa a observar-te: todas as tuas atitudes, da hora que tu acorda, até a hora que tu vai dormir. 24 horas por dia, 7 dias por semana. Não contente, Santo Antônio observará também os teus mais recônditos pensamentos.

Como exigir do Santo que confie à uma pessoa ainda tão imperfeita moralmente, alguma pessoa do jeito que essa mesma pessoa imperfeita exige? Sim, pois o imperfeito tem mania de achar que é perfeito, exigindo assim, a perfeição ao lado dele também.

Ora, como o Santo, através da Lei da Atração, irá atrair para pertinho daquele que exige alguém tão bom, se aquele que exige ainda é tão mau?

Preocupem-se mais em pedir perdão, e melhorarem-se enquanto é tempo, do que se preocuparem em virar os Santos alheios de cabeça para baixo. 

Afinal, desde muitos anos, você próprio vem virando sua vida de cabeça para baixo. Você vive tão mal, adquiriu vícios, manias deploráveis, virou sua vida de ponta-cabeça por simplesmente querer virá-la. Que tal desvirar a sua vida para o lado certo, ao invés de querer virar o Santo de ponta-cabeça? 

Pois é assim que você se encontra, de ponta-cabeça. E não é virando o Santo que ela vai desvirar. Você já viu alguém casar com alguém de ponta-cabeça num altar? Ou numa igreja de ponta-cabeça?  Pois é, eu também não.

Por isso, se quer ter a benção de casar um dia, com alguém que te ame e respeite, pode tratar de ir colocando os pés no chão. Lugar de pé é no chão, e não apontando pra cima. Nem o seu, e muito menos o do Santo. 

Tenha a "Santa" Paciência!

domingo, 1 de maio de 2011

Só sei que bolei uma idéia com Deus.

"Às vezes um pequeno sinal de Deus, bem identificado, pode mudar a sua existência inteira. Cabe a você ter sensibilidade de identificá-lo. Sabedoria para analisá-lo. Humildade para acatá-lo. E disciplina, responsabilidade e boa-vontade para realizar alguma ação específica em relação àquele sinal."



Hoje troquei uma idéia com Deus. À vera mesmo. Eu não esperava conversar com ele assim, dessa forma hoje. Aliás, Deus que veio trocar idéia comigo.

Eu estava como sempre costumo estar nas manhãs de domingo: sem dormir direito, com ressaca e com vontade de porra nenhuma. O domingo de manhã é quase sempre uma bosta. E quando não é uma bosta, é uma merda. E quando não é uma merda, ele sempre poderia ser melhor. Muito melhor.

Me encontrava nessa lamentável situação física/moral (como de costume) quando simplesmente adormeci após o almoço. E quando acordei, já acordei diferente. Não acordei bem disposto, mas também não acordei mal. 

Eis que, no finalzinho da tarde, quando eu já desconfiava de sua presença, Ele de fato começou a trocar idéia comigo mesmo. E vocês devem saber, trocar idéia com Deus é meio complicado. E vou dizer pelo menos o motivo pelo qual é complicado para mim.

Desde pequeno minha mãe sempre me ensinou a rezar. Fui batizado católico, mas a minha família é Espírita praticante. Quando criança, eu me lembro que rezava meio no piloto-automático. Rezava por rezar, sem vontade, sem fé, sem entender o que falava. Por mais que minha mãe tentasse nos ensinar com todo o amor, carinho e dedicação, eu e meu irmão estávamos muito mais interessados no Atari, no Super Nintendo e nos Comandos em Ação. A gente rezava o "Pai Nosso" e a "Ave Maria" toda a noite. Um pouco mais velhos, rezávamos também o "Credo" e a "Prece de Cáritas". Confesso que rezava maquinalmente, rezava por rezar. Depois de velho, quando comecei de fato a estudar a Doutrina Espírita, você começa a perceber que o momento da prece é muito mais que uma repetição maquinal de frases. É realmente o momento onde você se conecta com as esferas mais elevadas do plano espiritual, ou seja, quando você se conecta com Deus. 

Mesmo tendo todo esse conhecimento teórico acerca da prece, eu simplesmente não conseguia me sentir conectado com Deus, Jesus, qualquer Santo ou Espírito Protetor. Eu não conseguia sentir, e minhas preces acabavam sendo agradecimentos um tanto quanto vazios. Aos poucos, com o exercício sincero e o estudo sistemático, eu senti isso mudar em mim.

Muito embora hoje em dia eu consiga orar em qualquer lugar do mundo e em qualquer momento da minha vida, eu procuro nunca pedir nada. Procuro apenas agradecer por tudo, ou pedir desculpas por algo que esteja me pesando na consciência.



Isso tudo é muito bonito, mas isso não me impedia (nem me impedirá, muito provavelmente, num futuro próximo) de às vezes desanimar com certas situações, pessoas (inclusive eu mesmo), com o mundo e o Universo. Nunca com Deus. Mas com o momento que Deus proporcionava.

Como eu dizia mais acima, Deus veio trocar uma idéia comigo, e foi do nada. Eu nunca tive a cara de pau de pedir um sinal de Deus, ou uma prova de que Ele me ama. Sinceramente digo à vocês que vejo sinais e provas de Deus em tudo. Desde a partícula subatômica, passando pelos seres vivos, pelos planetas. Vejo Deus no microscópio, e vejo Deus através do telescópio Hubble. Vejo Deus no tudo, e no nada.

Mas hoje recebi tantos sinais, que se não fossem tão sutis e sublimes, soariam (alguns realmente soaram) como verdadeiros tapas na cara. Aliás, tapas na cara da alma.

E graças a Deus (literalmente) tomei esses tapas na cara hoje. E agradeço por ter sabido interpretá-los, pois como disse, foram sutis. Passariam completamente desapercebidos se eu não estivesse num estado de paz relativa, quando ele começaram a aparecer para mim hoje. Eis a importância de estar sempre vigilante à tudo,  sempre.

Os sinais do Capeta & Cia., esses eu tenho certeza que você sempre identifica, e tenho certeza que você inclusive se deixa levar pela influência desses sinais inúmeras vezes. Mas e os sinais de Deus? Você tem sabido interpretá-los? Atenção aos navegantes. São tantos naufragando hoje em dia, pelas madrugadas afora.

E o mais importante: Supondo que você esteja sabendo identificar os sutis e sublimes sinais de Deus na sua vida, o que você tem feito em relação à eles? Simplesmente identifica, e deixa estar? Ou analisa aquele sinal logicamente, racionalmente e filosoficamente? Às vezes um pequeno sinal de Deus, bem identificado, pode mudar a sua existência inteira. Cabe a você ter sensibilidade de identificá-lo. Sabedoria para analisá-lo. Humildade para acatá-lo. E disciplina, responsabilidade e boa-vontade para realizar alguma ação específica em relação àquele sinal. 

Sim, pois se Deus te enviou um sinal, ele quer que você faça algo. Às vezes ele quer que você tome outro rumo na tua vida, caso esteja caminhando em estradas duvidosas. Às vezes ele quer que você simplesmente sorria. Independente do que for, agradeça sempre. E aja sempre. Pois se muitos estão naufragando nesses tempos, nós então não podemos naufragar junto. Devemos sim manter o nosso barco no rumo certo, e resgatar quantos náufragos pudermos, navegando sempre com rumo certo nesses mares de incerteza da vida.

Boa noite à todos, uma boa semana e fiquem com Deus. E se possível, troquem uma idéia também com ele. Numa boa. Deus tem coração mole. E caso você, não fale com ele, cedo ou tarde ele vem falar com você. Esteja atento. Não vá estar distraído e deslumbrado com o Diabo quando ele vier falar contigo. Pois tens o livre-arbítrio, e da mesma forma que Deus tenta se aproximar, você pode estar se afastando dele sem você perceber. Aí depois não vá reclamar que você não conseguiu escutá-lo. É claro que você não irá escutá-lo com o Diabo gritando na sua orelha. Deus tem fala mansa. 



Só irás sequer começar a perceber a voz mansa de Deus, longe de qualquer panelaço do Capeta. E você pode estar no meio da porra do panelaço, às vezes sem nem ter percebido. Pois se Deus tem fala mansa, o Diabo também tem (quando lhe convém). Mas depois ele vai berrar na tua orelha. E batucar. E te zoar. Pra caralho.

E tenho dito! Fui!

domingo, 13 de março de 2011

Crossroads.

"Afinal, ainda somos humanos. Humanos na estrada para a angelitude, muito embora ainda insistamos em cair de joelhos em certas encruzilhadas da vida, fazendo pactos com os mesmos demônios de sempre."

"I went down to the crossroads, fell down on my knees..."

Mais cedo ou mais tarde, você acaba se deparando com uma nova encruzilhada na longa estrada da vida. Espero que dessa vez você tome o caminho mais difícil. Aquele caminho que te obriga a ser a pessoa mais dedicada, disciplinada e obstinada no mundo. Tomara que nesse caminho, as pessoas não aplaudam seus erros, ou alimentem seu orgulho elogiando a máscara, a fantasia que você confeccionou em volta da sua própria alma, para esse baile de Carnaval que para você parecia ser um baile infinito. 

Bom, não é. Um baile é só um baile. E a vida passa longe de ser um baile. Trate a vida como um baile, e aí sim a própria vida arrumará seu jeito de TE dar um baile. E não adianta ficar triste e fazer birra. Todo Carnaval tem seu fim, e o seu já durava no mínimo há 4 anos. Lembra-se desse passado recente?

Seus prazeres mundanos desenfreados precisaram chegar ao ponto de te causar asco, seus instintos bestializados e potencializados quimicamente quase te conduziram ao cemitério. O que te gerava felicidade, precisou te gerar depressão. Não adiantou o baile acabar, você quis continuar dançando, mesmo sem música, com sua máscara desalinhada e a fantasia toda babada, suja também de sangue, ranho, urina e um pouco de excremento. Não bastaram as luzes se acenderem e os faxineiros começarem a limpar o salão. Sua postura esbelta agora era encurvada. Suas olheiras denunciavam a forma como você enxergava a vida. No fundo, você só saiu pois a dor não era mais apenas uma dor moral naquela ponto, a dor também havia se tornado física. Você simplesmente decidiu não morrer sozinho naquele salão. 

As futilidades finalmente serão tratadas como futilidades, até o dia em que forem completamente descartadas. As prioridades finalmente serão tratadas como prioridades. É estranho como, em certos caminhos, futilidades acabam tomando o posto de prioridade, e vice e versa. Às vezes parece mesmo que certos caminhos levam à um certo tipo de universo paralelo, mas ao passo de que esse universo encontra-se, no fundo, dentro de você mesmo. 

Você viverá a sua vida resignado, tal qual uma rotina militar. A carne ainda poderá gritar alto, mas que o seu espírito dê a palavra final sobre a mesma, sem precisar gritar ou espernear.

Leve apenas as provisões necessárias com você na sua viagem. Provisões físicas, e morais. Se carregarmos peso extra na longa estrada da vida, a tendência será pegarmos sempre o caminho mais fácil, mais confortável, pois estaremos carregando mais peso, e logicamente, cansaremos mais e mais rápido. E quase sempre, esses caminhos de aparente facilidade, esses ditos "atalhos que abreviam as dores", não nos conduzem ao destino certo. Nos farão sim, andar em círculos. Nos farão sim, nos perdermos do nosso verdadeiro destino. Nos farão sim, nos perdemos de nossos amigos, de nossa família. Nos farão sim, nos perdermos até de nós mesmos. Você pode perder muito tempo. Ou mais tragicamente (tragédia essa que você mesmo orquestrou), você pode perder TODO o tempo. Toda a vida. 

Mas veja, muito embora a vida não seja um baile, provavelmente nos veremos em alguns desses bailes da vida que ainda acontecerão. Posso não mais viver mascarado ou fantasiado constantemente, mas ainda carrego minha máscara no bolso, só por precaução. Afinal, ainda somos humanos. Humanos na estrada para a angelitude, muito embora ainda insistamos em cair de joelhos em certas encruzilhadas da vida, fazendo pactos com os mesmos demônios de sempre. Paradoxal. Tal qual a vida. Tal qual o Universo. Tal qual Deus. Tal qual você mesmo. 

Boa noite, boa viagem e boa sorte para você em seu novo caminho. Que seja sempre iluminado por Deus, até mesmo nos momentos em que você agir como Diabo nas mais densas trevas no caminho que você mesmo traçou.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Só sei que não afundei.

"E esse é o seu fim, afogado no mar das suas próprias lamentações."

Chora não, rapá.


Ainda estamos no mês de Janeiro. É triste ver que todo aquele clima do Reveillon já passou. Onde havia o pacote completo que incluía "esperança", "promessa" e "mudança", residem os mesmos erros e as mesmas condutas errôneas de sempre, por parte da maioria dos seres humanos que convivo, ou que meramente observo. Aí você tem uma tendência absurda (aliás, todos devem ter essa mesma tendência) à simplesmente seguir a maré. "Se não pode vencê-los, junte-se à eles!", já dizia ironicamente uma grande amiga. Você se vê fraco, o seu barco da esperança e da renovação simplesmente naufragou. Enquanto seu barco da esperança naufraga, você se atira ao mar em desespero. E nota que inúmeros náufragos também estão ao seu lado. Alguns jazem boiando mortos, outros se afogam, outros buscam se apoiar uns nos outros, evitando o afogamento. Como você irá proceder? Bom, a tendência-mor é você se desesperar. Praguejar contra Deus e o mundo, afinal você é o único certo. E se você se deixar levar pela onda de desespero, você vai afogar mesmo. Talvez ainda vá afogar alguém antes de se afogar. E esse é o seu fim, afogado no mar das suas próprias lamentações. Mas, se olhar ao seu lado, além dos náufragos, irá notar também barcos que simplesmente seguem viagem tranquilamente sem haverem naufragado. Alguns barcos que inclusive resgatam outros náufragos, e alguns outros que simplesmente seguem seu destino à nado. 

Se quando cair no mar, você tiver o sangue-frio de observar mais tranquilamente a situação, ouvirá a voz de Deus te perguntar: "Será que de fato, VOCÊ é o único certo, em meio à todos esses náufragos? Será que todos esses náufragos, em seu desespero, enquanto esgasgam com o sal da água a lhes penetrar garganta e pulmões à dentro, também não pensam eles - Ó, como eu, o único justo, naufrago aqui? E mais, será que VOCÊ não tem a mínima parcela de culpa no naufrágio de qualquer pessoa aqui?"

Você irá refletir, e sem você tiver o mínimo de bom-senso, saberá reconhecer que você não está tão certo assim. E se refletir mais, vais ver que está errado. Ou talvez, MUITO errado. E em meio à toda essa humilde reflexão, Deus ainda irá te dizer, dependendo do teu próprio barco: "Ainda tens teu colete salva-vidas", "Ainda tens teu bote salva-vidas", ou o mais frequente, "Sai da água, criatura, teu barco nem sequer afundou..."

E só caberá à você a continuidade de sua viagem: Se ainda tens o colete salva-vidas, esforça-te e nada até a ilha mais próxima. Se ainda tens o teu bote, rema com fé até a ilha mais próxima. E se teu barco ainda resta intacto, toma vergonha e continua a navegar, resgatando, no caminho, quantos náufragos puder. Lembrando sempre que aquele náufrago que agora se afoga poderia, ou ainda pode, ser você.

Boa viagem à todos.

domingo, 3 de outubro de 2010

Só sei que sou um Deus.

"Os artistas contam verdades através de mentiras. Enquanto os políticos usam as mentiras para esconderem as verdades."

E você, sabia ou sabe que também é um Deus, assim como todos os seres humanos da Terra?

Jesus tem essa passagem: "Vós sois Deuses". E não o interpretem errado.

Ele apenas quis dizer que todos somos espíritos imortais, encarnados temporariamente neste veículo físico(carnal) que você está vestindo agora. E essa passagem me remete às Eleições.

Você deve estar se perguntando: "Tayan, você está fazendo um link entre uma frase de Jesus Cristo e as Eleições de 2010?"

Não, não estou chapado até agora da festa que fui ontem em São Paulo. Nem fiquei xarope de vez. Pelo menos por enquanto.

Eu tenho reparado que em todas as mídias disponíveis no país só se fala em Eleição. O quê é completamente normal, pois eleição para presidente é coisa muito séria e importante (?). É óbvio que as mídias mantenham o tema em voga, até o final da semana que vem mais ou menos.

A questão é: No Twitter, só se fala disso. E sinceramente, eu passei o dia inteiro lendo twittadas de pessoas (a maioria famosos, formadores e deformadores de opinião) sempre criticando os candidatos, criticando as pessoas que votam e etc.

Amigo ou amiga, realmente o Tiririca ter sido o Deputado eleito com mais votos no país inteiro é uma gozada na cara do Estado. Realmente todos os debates foram uma merda. Realmente a maioria dos candidatos eram uma merda. Mas vai dizer que você não sabe, ou não sabia?

Que tal, em vez de criticar, você começar a se mover um pouco em prol do Estado? Por que não começa  a ajudar o "povo" como você acha que seu arquétipo de lider político faria? E veja, quando falo em ajudar, não é dar dinheiro pra ninguém (se você estiver esbanjando, por que não?). Uma ajuda, na maioria das vezes, é uma simples conversa, um abraço, um sorriso, um aperto de mão, um simples bom dia. Às vezes apenas o fato de você ouvir alguém.

Em vez de você esperar um líder que vai salvar o seu país, por que não se tornar esse líder? Sim, você é um líder em potencial. Podemos liderar, e sermos liderados. Em várias circunstâncias, em várias situações.

Leiam e reflitam sobre essas duas frases do HQ "V de Vingança", escrito pelo genial Alan Moore:

"O povo não deve temer seu Estado. O Estado é que deve temer seu povo."

"Os artistas contam verdades através de mentiras. Enquanto os políticos usam as mentiras para esconderem as verdades."

Que tal você esperar menos do líder em que você votou hoje, e desenvolver mais o líder dentro de você mesmo? Liderem mais, sejam menos liderados. Os necessitados agradecem.

A "revolução no Governo" começa em você, começa em mim. A revolução começa internamente em nós mesmos, e se exterioriza ao coletivo. Faça a sua revolução. Revolução intelectual, e não armada. Pois o ideal é imortal, invencível e indestrutível. Mais uma do "V":

"Por trás dessa máscara, Sr. Creedy, existe mais do que um rosto, e o esqueleto e os músculos por trás desse rosto. Por trás dessa máscara, Sr. Creedy, existe um idéia. E idéias são à prova de balas."

Revolucionem-se antes de tudo.

Afinal, "vóis sois deuses".

E fiquem com Deus. O original.

Boa noite.

PS: Por favor, parem de twittar sobre o Tiririca, ou a "Festa da Democracia". Se eu ganhasse 1 real pra cada vez que li isso hoje, não ia ter puta pobre agora.

PS2: Caso você me ache lindo, simpático, inteligente e queira me seguir no Twitter, siga-me agora no @tayantino. Caso você simplesmente me ache um filho da puta pseudo-intelectual de merda, siga-me também para você ter bases sólidas para me zoar depois.

PS3: Amanhã, 04/10, é dia de São Francisco de Assis. E em homenagem à esse espírito que tanto admiro, que foi e é um verdadeiro exemplo, eu vou postar aqui a "Oração da Paz", escrita pelo próprio. Mesmo se você for ateu, evangélico, umbandista, macumbeiro, um chapado do Santo Daime, não importa. O quê importam aqui, são as sábias e inspiradas palavras:

ORAÇÃO DA PAZ -

Senhor, fazei-me instrumento da vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
Onde houver erros, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei que eu procure mais:
Consolar, que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado.

Pois é dando que se recebe
É perdoando que se é perdoado.
E é morrendo que se vive
para a vida eterna. Amém!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Só sei que sou imortal.

"...a partir do momento que você aceita a imortalidade da sua alma, você começa a repensar suas ações ou omissões de qualquer natureza."

Acabei de voltar do Centro Espírita, e é realmente impressionante como me sinto renovado. "Impressionante" não é bem a palavra, pois eu, mero estudioso que sou, sei basicamente o que acontece no meu corpo e no meu espírito, principalmente após esses encontros revigorantes.

A questão é: E você? Como lida com isso? Tem noção, ou meramente acredita (ou não) na imortalidade do seu espírito? Aliás, você sequer acredita em espírito? Em Deus e no Diabo? Céu e Inferno?

Falo isso não fazendo alusão à minha crença, mas fazendo uma pergunta para você: No quê VOCÊ acredita?

Sem querer fazer disto um pensamento mórbido, mas todo dia deveríamos lembrar da nossa morte porvindoura. A morte é a única certeza da vida. Para morrer-se, basta estar vivo. Inexorável.

Se acredita em algo (independente do quê) isso é muito bom. Todo tipo de crença, filosofia ou fé bem direcionados, acabam sempre direcionando o ser humano à algo além da lógica e da racionalidade, direciona à algo melhor e mais grandioso. Divino, Sagrado, Espiritual.

A falta de crença quase sempre acaba refletindo em um vazio existencial, no fundo. Não crer em nada não é viver. É apenas existir. 

O quê acaba sendo triste, pois a partir do momento que você aceita a imortalidade da sua alma, você começa a repensar suas ações ou omissões de qualquer natureza. 

Procure enxergar melhor o mundo e as pessoas. E se você não tiver respostas, cogite um "E se.." em vez de um "Não" ou "Nunca". Afinal, TUDO tem uma resposta. Mas não necessariamente compreenderíamos ou compreendemos essa resposta AGORA. Paciência é uma virtude.

E para você que não acredita em nada, quem sabe essa frase de Shakespeare não te inspira?: "Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe minha vã filosofia."

Boa noite!

PS. Assistimos esse vídeo no centro espírita hoje. Fiquei maravilhado: http://www.youtube.com/watch?v=-bmzrjECGgY

PS2. Aliás, quem se interessar, o Centro que frequento aqui em Santos chama-se "João Cabete". Palestras às Terças e Quintas às 20h, e Estudo Espírita aos Domingos 19h. Fica na Rua Santos Dumont, 209/227, - Macuco - Santos/SP (Próximo à Avenida Afonso Pena)