Só sei que nada sei, mas ainda insisto em digitar...

sábado, 28 de maio de 2011

Só sei que não enlouqueci.

"O que enlouquece o ser humano é justamente o fato dele tentar enclausurar seus próprios pensamentos."



Em um dos HQ´s do Batman, o Coringa diz ao Batman que "o limiar entre a sanidade e a loucura às vezes é apenas um dia ruim.

Muita gente gosta de dizer que é louco. Esse tipo de louco não é tão louco assim. O verdadeiro louco mesmo é aquele que não assume, e pior, aquele que não sabe que é louco.

Louco é quem tem pensamentos "anormais" dentro da sociedade. Ou seja, não chamamos de louco apenas aquele sujeito que rasga dinheiro e que come merda. Existem vários tipos de loucura, vários níveis de loucura.  Desde loucura patológica até apenas momentos de loucura. Vamos focar aqui no texto sobre a loucura que não é patológica. Ou seja, vamos nos ater à loucura que pode atingir eu e você, se é que já não atingiu. Os "momentos de loucura", momentos esses, que infelizmente às vezes podem durar para sempre.

Muitos viam, e vêem, a loucura como transitória.

Hegel via a loucura como uma espécie de pressuposto de humanidade. Dizia que a loucura é um "simples desarranjo, uma simples contradição no interior da razão, que continua presente."

Se a loucura é a ausência da razão, de fato, todo ser humano será ou agirá como louco pelo menos uma vez na vida, seja na medida que for. Essa visão da loucura acaba incluindo a loucura como parte do aprendizado, parte do caminho que conduz a razão.

A evolução consistiria então no domínio da razão sobre a loucura. Ou, como acho mais correto: A evolução consistiria então na capacidade plena de raciocínio. Pois não haveria de se dominar a loucura, sendo que a mesma seria apenas a ausência da razão. Haveria um preenchimento racional dentro essa ausência, esse vazio moral que acaba originando a loucura.

E realmente esse é o jeito certo de encararmos a loucura.

Sócrates também encarava a loucura como transitória no ser-humano. E pensando com calma, cheguei à uma conclusão.



Meus pensamentos, esses dias, estavam de fato me torturando. A batalha foi sangrenta hoje, dentro da minha guerra interna. Em dado momento, pensei que meus pensamentos iriam me levar à loucura, mesmo que à loucura momentânea (o que já aconteceu, e mais de uma vez).

Me interiorizei e percebi o seguinte: o que acaba levando à loucura, mesmo que momentânea, não são os pensamentos em si. Os pensamentos são bons. Sejam esses pensamentos bons, ou sejam eles até ruins.

O que enlouquece o ser humano é justamente o fato dele tentar enclausurar seus próprios pensamentos. E no meu ver, podemos enclausurar os pensamentos de duas formas:

A primeira é óbvia. É simplesmente NÃO PENSANDO. Ou seja, toma-se então a rota de fuga mais conveniente, à escolha do fugitivo.

A segunda é até meio estranha. É simplesmente PENSANDO DEMAIS. Quando você pensa algo, e logo em seguida já pensa outra coisa, sem ter analisado ou refletido sobre aquele algo que você tinha pensado antes, acabo surgindo um "acúmulo de pensamentos". Acúmulo de pensamentos não refletidos, não analisados. Vai-se pensando uma coisa atrás da outra, causando uma bola de neve mental. Uma hora, a bola de pensamentos é tão grande, e você acaba não sabendo mais o que pensou, o que vai pensar, ou o que vai fazer. E muito provavelmente você terá um colapso mental, que resultará num colapso da sua própria moral.

Concluímos então logicamente que a nossa única armadura mental contra a loucura é conseguir criar uma disciplina de pensamentos. Tudo o que você pensa, deve ser analisado. É bom? Então programe, e faça. É ruim? Então descarte isso do seu plano mental .E se num impulso esse pensamento ruim surgir denovo (e sempre surgem, acredite em mim) simplesmente descarte-o novamente. Sempre pensando, sempre racionalizando. Nenhum pensamento passando batido. Nenhuma "pendência mental." Isso torna a mente mais leve. 

Uma forma simples disso é visualizarmos o nosso cérebro e a nossa mente como o céu. Se o céu é nossa mente, e nossos pensamentos são nuvens, devemos deixar o vento da prudência soprar com prudência toda nuvem que passa, pois bem sabemos, nuvens são passageiras. Se não houver o vento da prudência em nosso céu mental, as nuvens-pensamento não passarão. As nuvens-pensamento se tornarão pesadas e carregadas, e ao som dos trovões de agonia, inexoravelmente a tempestade moral irá acontecer. Com seus relâmpagos que cegam e com seus raios irresponsáveis e destruidores, a tempestade moral pode causar enchentes de desgosto dentro de você, e dos outros. E causar danos algumas vezes até irreversíveis para você e para o mundo.

Voltemos à frase do Coringa ditada ao Batman: "o limiar entre a sanidade e a loucura às vezes é apenas um dia ruim.."

E vou dizer à vocês o motivo desta frase ser genial. Pois ela fala claramente não na loucura propriamente dita, mas na ausência voluntária de razão mediante uma certa situação adversa na sua vida, situação adversa essa ilustrada no pensamento como o "dia ruim".

E "dia ruim" pode ser muita coisa. Depende do ponto de vista. Pode ser um tornozelo torcido. Pode ser uma traição. Pode ser um tsunami. Pode ser o fim-do-mundo do tal Calendário Maia em 2012. 

Desse prisma, o louco então não age então por loucura. Antes da "loucura" propriamente dita aflorar nos "dias ruins", que muito bem podem-se estender-se através de "tempos ruins" ou "épocas ruins", o louco agiu com covardia mental ante à qualquer dificuldade ou adversidade na vida. O louco então, age apenas ridiculamente como uma criança mimada, que resolveu espernear e berrar quando foi contrariada.

A loucura sempre será resultado da própria incompetência do ser humano, em especial, a incompetência sentimental. A incompetência em não conhecer a si mesmo. E se conhece à si mesmo, a incompetência de não domar à si mesmo. Enlouquece-se por muito pouco. Nunca por falta de opção, pois existem muitas. Mas sempre por falta de coragem ou responsabilidade. Ou os dois. Por falta de vergonha na cara mesmo.

A loucura então, no fundo, é opção de cada um. E essa dita loucura pode ser chamada de qualquer coisa: menos de loucura.

2 comentários:

  1. Se é assim sou a pessoa mais normal do mundo. Dentro de todas as minhas loucuras (que não são nada poucas, é claro!)

    Um bjão! =D

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  2. Tarik De Cavalaria28 de maio de 2011 16:33

    "Há uma fina linha entre genialidade e loucura. Eu apaguei essa linha."
    (Oscar Levant)

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